sábado, 5 de maio de 2012

PETROLEO AMAZÔNIA - Petróleo na Amazônia e o desafio de explorar sem destruir o meio ambiente

A Província de Urucu, no Amazonas, é a maior produtora terrestre de gás natural e a terceira maior nacional em barris de óleo.

Autor: Isaac de Paula - Portal Amazônia

MANAUS – Uma enorme clareira no meio da floresta evidencia que algo extraordinário acontece no município amazonense de Coari. Localizada a 650 km a Sudoeste de Manaus, a área aberta traduz o resultado de sete décadas de pesquisas. Lá está a Província de Urucu, a maior produtora terrestre de gás natural e a terceira maior nacional em barris de óleo. Um trabalho que envolve o desafio de desenvolver tecnologias inéditas aliadas à responsabilidade ambiental do maior bioma do planeta.

Os primeiros esforços para encontrar petróleo na região começaram ainda por volta de 1910. Estudos, pesquisas e tentativas de exploração levaram à perfuração do primeiro poço em Coari, em 1917. De acordo com a Petrobras, empresa detentora da exploração em Urucu, os primeiros levantamentos sísmicos na Amazônia, no entanto, só vieram a começar quase 30 anos depois, acompanhadas pelo então Conselho Nacional de Petróleo (CNP).

 

Visão aérea do a Província de Urucu, em Coari (AM). 
Foto: Divulgação/Petrobrás



E foi próximo a Carauari (AM), em 1978, que a estatal fez a primeira descoberta significativa de óleo e gás na região. Um sonho que ganhou ainda mais forma quando, em outubro de 1986, a Petrobras descobriu petróleo em quantidades comerciais na área do rio Urucu, na Bacia do Solimões. Estava aberta uma nova perspectiva para a exploração e produção de petróleo na Amazônia.
Foto: Divulgação/Petrobras

Um dos marcos dessa nova realidade foi a construção da Base de Operações Geólogo Pedro de Moura (BOGPM). Em outubro do ano passado, o campo de Urucu completou 25 anos, com números impressionantes. São retirados diariamente da província cerca de 11 milhões de metros cúbicos de gás natural e 52 mil barris de petróleo. Estatísticas que ficam atrás apenas dos registros das plataformas marítimas do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

Em todo o ano de 2011, volume de gás natural e petróleo produzido por Urucu chegou a 119.934 barris equivalentes por dia. No final do mês de março, a Petrobras divulgou a produção de fevereiro. O Amazonas apareceu com produção de 10.382 mil metros cúbicos/dia e 50.938 barris de petróleo – volume um pouco menor que da média anterior. De acordo com a empresa, a redução na produção é consequência da menor demanda do mercado consumidor.

O petróleo de Urucu é de alta qualidade, sendo o mais leve entre os óleos processados nas refinarias do País. Essas características resultam no aproveitamento do material especialmente para a produção de gasolina, nafta petroquímica, óleo diesel e gás de cozinha. O processamento de GLP, que supera 1,3 mil tonelada diária, equivalente a 115 mil botijas de 13kg, abastecendo os Estados do Pará, Amazonas, Rondônia, Maranhão, Tocantins, Acre, Amapá e parte do Nordeste.

Base de Operações Geólogo Pedro de Moura, no meio da floresta. Foto: Divulgação/Petrobras

Novas descobertas
Em fevereiro deste ano, a Petrobras anunciou ter descoberto uma nova acumulação de petróleo e gás na Bacia do Solimões, no Amazonas. O poço foi perfurado a profundidade final de 3.295 metros e os testes realizados indicaram capacidade de produção diária de 1.400 barris de óleo de boa qualidade e 45 mil m3 de gás, na Formação Juruá.

A descoberta ocorreu durante a perfuração do poço 1-BRSA-961-AM, informalmente conhecido como Leste do Igarapé Chibata. Localizado no Município de Coari, a 25 km da Província Petrolífera de Urucu. Este é o segundo sucesso exploratório no Bloco, onde já está em andamento, desde 2010, o Plano de Avaliação da Descoberta do poço 1-BRSA-769-AM, informalmente conhecido como Igarapé Chibata.
Se for confirmada a viabilidade econômica das descobertas, será criado um novo polo produtor de petróleo e gás natural na Bacia do Solimões.

Plano de exploração das novas reservas:
Arte: Agência Petrobras/Divulgação

Preservação ambiental
Um empreendimento do tamanho de Urucu tem impactos – e nem todos são positivos. Para preservar o ecossistema amazônico e compensar os danos causados pela exploração, uma série de medidas são tomadas. Entre elas está o replantio intensivo de espécies da flora. Ao lado do Polo Arara, por exemplo, está um viveiro com aproximadamente 125 mil mudas de espécies nativas, como imbaúba, mata-pasto, angico, goiaba-de-anta, jatobá, lacre e árvores de ingá, em uma lista de 80 espécies diferentes.

Sobre as clareiras abertas em meio à floresta, a empresa diz, após a perfuração dos poços, o trabalho segue com a recomposição da cobertura florestal, mantendo-se apenas uma pequena área para os equipamentos de produção de petróleo e gás natural. “Tudo feito rigorosamente conforme procedimentos documentados, previamente estabelecidos por especialistas, e revisado sistematicamente para garantir técnicas cada vez melhores e resultados em constante evolução”, afirma nota da estatal.

Porto Encontro das Águas, de onde saem e onde são recebidas as cargas de Urucu. Foto: Divulgação/Petrobras

Todo o processo conta ainda com as ações de um convênio firmado entre o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) e o Projeto Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). Os trabalhos de prospecção, perfuração, produção, processamento e transporte de petróleo, gás e derivados na selva amazônica são monitorados pelo Sistema. O suporte permitiu a criação de um “cordão” adicional de proteção e de controle permanente, prevenindo qualquer hipótese de prejuízos ecológicos.

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2 comentários:

MAURO BECHMAN disse...

Beleza professor Elias! Seu blog ficou legal com esta repaginação! Continue na luta! Saudações Geográficas!

Professor Elias Santos Junior disse...

Obrigado Prof. Bechman, é um prazer te-lo entre os leitores do blog, e estamos sempre prontos para a boa luta!

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